O Eterno revelou o Shabat através de milagres.
A importância do Shabat era evidente antes de o Eterno ordenar os Dez Mandamentos a Yisrael.
Por exemplo, algumas semanas antes, depois da travessia do Mar Vermelho, quando os israelitas testemunharam a destruição do exército de faraó, Yisrael entrou na vasta região despovoada da Península do Sinai.
Passados alguns dias, toda a provisão que os israelitas trouxeram de Mizraim tinha acabado, então disseram a Moshe:
“Por que nos tendes tirado para este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão?” (Shemot 16:3).

Contudo, o Eterno já tinha tudo planejado e prometeu enviar-lhes maná, uma substância miraculosa que iria sustentá-los enquanto estivessem no deserto (versículos 4, 15-18).
Mas o Eterno impôs uma condição.
Ele lhes daria o maná somente durante seis dias da semana.
E, no sexto dia, o fornecimento seria em dobro, mas nada seria providenciado no sétimo dia (versículos 5, 22).
Moshe explicou ao povo o que o Eterno lhe disse: “Amanhã é repouso, o santo Shabat do Eterno … tudo o que sobejar ponde em guarda para vós até amanhã… Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o Shabat; nele não haverá” (Shemot 16:23, 26).
Mas alguns não acreditaram e “saíram para colher, mas não o acharam” (Shemot 16:27).

Qual foi a reação do Eterno?
Ele disse: “Até quando recusareis guardar os Meus mandamentos e as Minhas instruções?
Vede, visto que o Eterno vos deu o Shabat, por isso Ele, no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique no seu lugar, que ninguém saia do seu lugar no sétimo dia” (Shemot 16:28-29).

Vemos aqui que, semanas antes da entrega dos Dez Mandamentos a Moshe no Monte Sinai, o Eterno disse que os israelitas estavam se recusando a cumprir os Seus mandamentos e as Suas instruções!
E também disse:
“O Eterno vos deu o Shabat”.
Ele não disse que “estava dando” ou que “daria”; Ele já lhes tinha dado o Shabat, para ser observado todo sétimo dia!
Quando o Eterno deu esta ordem a Yisrael:
“Lembra-te do dia do Shabat, para o santificar” (Shemot 20:8), e disse que os israelitas estavam se recusando a guardar os Seus mandamentos e as Suas instruções, violando o Shabat mesmo antes do Monte Sinai (Shemot 16:28), Ele estava lembrando ao povo que o Shabat já tinha sido santificado; assim, Ele se referia à semana da criação.

O Eterno separou o Dia de Shabat.

No livro de Bereshit, lemos como o Eterno criou a terra, enchendo-a de plantas e animais e fazendo-a uma bela moradia para o primeiro casal, Adam e Chava, como representantes da humanidade futura.
Aqui lemos sobre a verdadeira origem do Shabat:
“Havendo o Eterno acabado, no dia sétimo, a Sua obra, que tinha feito, cessou no sétimo dia de toda a Sua obra, que tinha feito.
E abençoou o Eterno o dia sétimo e o santificou; porque, nele, cessou de toda a Sua obra, que o Eterno criara e fizera” (Bereshit 2:2-3).
Este dia era diferente dos outros dias da semana da criação.
O Eterno abençoou o sétimo dia e santificou-o.
A palavra santificar significa “separar para um propósito santo”; o Eterno separou, especificamente, o sétimo dia como um dia sagrado.
Esses dois versículos mencionam três vezes que o Eterno não trabalhou no sétimo dia, enfatizando que aquele era um dia de descanso…

Claro que entendemos que o Eterno não é homem para se cansar e se fatigar, como disse o profeta Yeshayahu: Yeshayahu 40:28
Pois não sabes?
Por acaso não ouviste isto? HaShem é um Eterno eterno, criador das regiões mais remotas da terra.
Ele não Se cansa nem Se fatiga; a Sua inteligência é insondável.
Mas a ideia do Shabat é de descanso para a criação por completo e não para o Eterno.

Mas, infelizmente, temos algumas pessoas que se dizem estudiosas da palavra do Eterno que não estão de acordo com essa interpretação, dizendo que essa não foi a origem do mandamento do dia de descanso, argumentando que a palavra Shabat não é mencionada aqui.
No entanto, a palavra hebraica traduzida como “descanso” é Shabat, que é a raiz da palavra Shabat.
Shabat quer dizer cessar, ou descansar, e é daqui que Shabat obtém o significado de “dia de descanso”.

Se parafrasearmos a descrição de Bereshit 2:2, usando a palavra “Shabat” como um verbo (tal como Shabat é usado no original hebraico), então nós leríamos o texto assim:
“O Eterno sabadeou no sétimo dia de toda a Sua obra, que tinha feito”.
A língua hebraica é clara e inequívoca em sua intenção.

O Eterno fez o Shabat para a humanidade.

Por incrível que pareça, ainda há pessoas que argumentam que isso não prova que o Shabat existia desde o sétimo dia da criação, afirmando que ele não foi instituído antes de ter sido dado a Yisrael, no Monte Sinai, e ainda pedem textos que provem Adam e Chava guardando o Shabat!
Texto que prove Noach guardando o Shabat!
Texto que prove Avraham guardando o Shabat!
Se o texto não sinalizou esses personagens cumprindo de forma clara, tem uma razão: a questão de o Eterno não os ver quebrar essa aliança ordenada pelo Eterno para Sua humanidade.
Agora teremos um problema!
O Eterno vai estabelecer a guarda desse dia de forma restrita tão somente a um povo, Yisrael.
E isso foi justamente porque a humanidade antiga rejeitou a guarda desse sinal ou aliança com o Eterno.
E o que era destinado a toda a humanidade agora ficou restrito somente à nação física de Yisrael por um período de tempo…

Entretanto, com o passar do tempo, o afastamento dos homens das Suas instruções os fez perderem o bom senso na interpretação das instruções do Shabat, e acabaram fazendo do Shabat uma prisão, em vez de fazê-lo um dia de satisfação, consagração e gozo…
Aqui, nesse tempo, o próprio Yeshua refutou essa ideia.
Ele explicou a alguns que tinham um entendimento completamente incorreto sobre a intenção e o propósito do Shabat que “o Shabat foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do Shabat” (Marcos 2:27).

Ele esclareceu o grande princípio subjacente ao dia de Shabat, que muitos não compreenderam durante séculos:
O Shabat, longe de impor uma fastidiosa obrigação ou sancionar uma lista de atividades proibidas, é algo que o Eterno criou para o homem!
Ele foi santificado e tornado sagrado quando a humanidade foi criada; após criar Adam e Chava, no sexto dia da semana da criação, o Eterno criou o Shabat no dia seguinte, separando o Shabat dos outros dias (Bereshit 1:26-31; 2:1-3).

O entendimento de Yeshua sobre o Shabat.

Para Yeshua, o Shabat era algo positivo e benéfico, não uma carga opressiva, como alguns líderes religiosos da Sua época tinham feito dele.
Observe como Yeshua escolheu as palavras.
Ele disse que o Shabat não foi feito apenas para a nação de Yisrael, mas para o homem — para toda a humanidade — e observá-lo não se tratava de uma prática sem sentido e forçada que trazia dificuldades à vida das pessoas.
O sétimo dia foi feito para o homem, expressamente criado para benefício e bem-estar da humanidade!
Várias outras traduções apoiam isso: “O Shabat foi feito para servir as pessoas, e não as pessoas para servirem o Shabat”, diz a Bíblia na Linguagem de Hoje.

Yeshua compreendia o propósito das instruções do Eterno, incluindo o Shabat,
as quais o Eterno determinara que fossem uma bênção e um benefício para toda a humanidade.
Através de Moshe, o Eterno dissera anteriormente a Yisrael: “Eu te ordeno, hoje, que ames o Eterno, teu elohim, que andes nos Seus caminhos e que guardes os Seus mandamentos, e os Seus estatutos, e os Seus juízos…”
Por quê?
“Para que vivas, e te multipliques, e o Eterno, teu elohim, te abençoe na terra à qual entras a possuir” (Devarim 30:16).

Moshé, depois de conduzir Yisrael durante quarenta anos pelo deserto, resumiu as experiências dos israelitas, imediatamente antes de entrarem na terra prometida, da seguinte maneira:
“Eis que vos ensinei estatutos e preceitos, como o Eterno, meu elohim, me ordenou…
Guardai-os e observai-os, porque isso é a vossa sabedoria e o vosso entendimento à vista dos povos, que ouvirão todos estes estatutos e dirão: Esta grande nação é deveras povo sábio e entendido…
E que grande nação há que tenha estatutos e preceitos tão justos como todas estas instruções que hoje ponho perante vós?” (Devarim 4:5-8)
Ele compreendeu quão maravilhosas eram as instruções que tinham recebido do Eterno, e como eram realmente muito especiais!