Uma bênção para todos que escolherem obedecer
Sem dúvida, o Eterno determinou que o Shabat fosse uma bênção para quem o observasse com o propósito que o Eterno lhe dera.
As instruções que o Eterno deu a respeito do Shabat foram breves, mas dão um valoroso entendimento à Sua intenção.

Vejamos algumas dessas instruções.
“Lembra-te do dia do Shabat, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o Shabat do Eterno, teu elohim; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas.
Porque em seis dias fez o Eterno os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e, ao sétimo dia, cessou; portanto, abençoou o Eterno o dia de Shabat e o santificou” (Shemot 20:8-11).

Vemos que, no Shabat, todos os membros da casa deveriam descansar do trabalho — até mesmo os criados, a terra e os animais.
Todos descansavam a cada sétimo dia da rotina normal de seu trabalho.
Toda a família e demais entes da casa foram, especificamente, nomeados, incluindo pais, filhos, filhas, criados e hóspedes.
Assim, livres das obrigações cotidianas, todos podiam passar grande parte do dia em família.

O mandamento para observar o Shabat em todos os lares é reforçado em Vayicrá 23, onde o Eterno lista as observâncias religiosas instituídas por Ele — Suas festas ou festivais.
Ele deixa bem claro que o Shabat é o Seu tempo santo e não o tempo santo de Moshé ou de Yisrael:
“Depois, falou o Eterno a Moshé, dizendo: Fala aos filhos de Yisrael e dize-lhes: As solenidades do Eterno, que convocareis, serão santas convocações; estas são as Minhas solenidades.
Seis dias obra se fará, mas o sétimo dia será o Shabat do descanso, santa convocação; nenhuma obra fareis; Shabat do Eterno é em todas as vossas habitações” (Vayicrá 23:2-3).

O Shabat não era somente uma cerimônia religiosa para o tabernáculo, mas era também uma observância para todos os lares da nação.

Uma lembrança da libertação da escravidão
Podemos encontrar mais detalhes das intenções do Eterno quando os Dez Mandamentos são repetidos, em Devarim 5:12-15:
“Guarda o dia de Shabat, para o santificar, como te ordenou o Eterno, teu elohim. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o Shabat do Eterno, teu elohim; não farás nenhuma obra nele, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem como tu; porque te lembrarás que foste servo na terra de Mizraim e que o Eterno, teu elohim, te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o Eterno, teu elohim, te ordenou que guardasses o dia de Shabat”.

Nesta menção dos Mandamentos, outro aspecto da observância do Shabat é acrescentado para o povo do Eterno — que trazia à lembrança sua escravidão em Mizraim e que “o Eterno te tirou dali com mão forte e braço estendido”.

O Shabat era uma lembrança semanal das origens humildes de Yisrael como escravos em Mizraim e que o Eterno, por meio de poderosos milagres, libertou o Seu povo e estabeleceu-o como nação.
Agora que Ele lhes dera descanso de sua escravidão, portanto, toda a nação descansava e se beneficiava do Shabat, e até mesmo os criados eram incluídos nesse mandamento.
Além de ter dado descanso aos israelitas, o Eterno também lhes ordenou que permitissem que seus empregados descansassem; uma lembrança adicional de que a bênção do Shabat era para todos.
De maneira específica, os israelitas foram instruídos a se lembrarem desses acontecimentos relacionados com o Shabat.
Frequentemente, o Eterno, através de Moshe, lembrava-lhes como eles conseguiram tudo isso e como Ele, através de grandes milagres, interviria por eles em muitas ocasiões.

De igual modo, o Shabat é, para os seguidores de Yeshua de hoje, uma lembrança importante do nosso livramento e libertação.
Pela misericórdia do Eterno e pela vida justa de Yeshua, os Seus seguidores são libertados da escravidão espiritual, que conduz ao pecado e à morte, e agora estão livres para servir ao Eterno (Romanos 6:16-23; 2 Kefa 2:19).

Muitas vezes, o Eterno avisou ao Seu povo para nunca esquecer o que Ele fez por eles:
“Guarda-te a ti mesmo… que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus filhos” (Devarim 4:9).
“Guarda-te e que te não esqueças do Eterno, que te tirou da terra de Mizraim, da casa da servidão” (Devarim 6:12).
Toma cuidado “que se não eleve o teu coração, e te esqueças do Eterno, teu elohim, que te tirou da terra de Mizraim, da casa da servidão” (Devarim 8:14).

Um espaço de tempo alegre para aprender sobre o Eterno
Observe que o Eterno também disse aos israelitas para ensinarem Suas instruções e caminhos aos seus filhos. Imediatamente depois de repetir os Dez Mandamentos, em Devarim 5, o Eterno instruiu aos israelitas: “Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as intimarás [ensinarás com dedicação] a teus filhos e delas falarás, assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te” (Devarim 6:6-7).

Portanto, o Shabat era um tempo para instrução da Toráh e para ensinar e aprender os maravilhosos atos e as instruções do Eterno.
O trabalho cotidiano era proibido, e os grandes milagres do Eterno eram relembrados neste dia. “Assim, a primícia do Shabat significava:
o gozo,
o refrigério,
a misericórdia resultantes da lembrança da bondade do Eterno como Criador e Libertador da escravidão…”

Neste dia, o povo estava acostumado a:
instruir seus filhos sobre essas verdades, que eram trazidas à memória nesse dia, e essa ordem era repetidamente prescrita como obrigação dos pais; era o ‘Shabat do Eterno’, não somente no santuário, mas ‘em todos os lares’”.

O Shabat, observado desse modo, era verdadeiramente uma bênção e um deleite segundo a intenção do Eterno, sendo também um dia de comunhão com o Criador, de aprendizado, contemplação e prática de Suas instruções e caminhos.