Muitos creem que a sorte do iníquo é o inferno ardente em um submundo escuro por toda a eternidade. Mas as Escrituras realmente dizem isso?

A Visão das Escrituras sobre o Inferno
Para responder, temos que compreender as quatro palavras hebraicas e gregas que foram traduzidas por “inferno” na maioria das versões. Como veremos a seguir, a visão das Escrituras sobre o inferno não tem nada a ver com tormento sem fim.

Duas palavras traduzidas como “inferno” referem-se à sepultura
Sheol é a palavra hebraica traduzida como “inferno” no Tanakh. Refere-se ao “estado e local do morto; por conseguinte à sepultura na qual o corpo repousa …”

O Dicionário Expositivo das Palavras das Escrituras explica: “Por conseguinte não há nenhuma referência a destino eterno, mas simplesmente à sepultura como local de repouso dos corpos das pessoas …”

Refletindo o seu verdadeiro significado, muitas traduções mais recentes traduzem esta palavra simplesmente por “a sepultura” ou deixam-na no original Sheol.

Entre os que sabiam que iriam para Sheol, para a sepultura e não para um inferno de fogo eterno, estavam homens de confiança como Yaakov (Bereshit 37:35), Iyov (Iyov 14:13), Davi (Tehilim 88:3) e Chizkiyahu (Yeshayahu 38:10). Sem dúvida, Sheol não se refere a um lugar de tormento eterno, mas sim à sepultura.

A palavra grega correspondente a Sheol é Hades, que também significa sepultura.

Apesar de o termo Hades ser usado na mitologia grega para se referir a um deus do mundo subterrâneo onde os mortos tinham uma sombria consciência após a morte, este não é o uso nas Escrituras.

Nos quatro versículos dos Escritos Nazarenos que citam passagens do Tanakh contendo Sheol, a palavra Hades é traduzida por Sheol (Mattityahu 11:23; Lucas 10:15; Ma’asei HaShlichim 2:27, 31).

Nas traduções mais recentes, assim como Sheol, Hades também é traduzida como “a sepultura” ou “morte”, ou deixada no original.

Como em hebraico, Sheol, a palavra grega Hades não se refere a um lugar de tormento no fogo, mas sim à sepultura.

Na verdade, Kefa (Pedro) diz em Ma’asei HaShlichim 2:27 e 31 que o próprio Yeshua esteve no “Hades”, ou no “inferno” (versão Almeida Corrigida e Fiel), ou no “mundo dos mortos” (Bíblia na Linguagem de Hoje), referindo-se ao tempo em que Yeshua esteve na sepultura até sua ressurreição.

Mais uma vez, ambas as palavras simplesmente se referem à sepultura. E na sepultura não existe qualquer sentido de consciência (Kohelet 9:5; Tehilim 6:5; 146:4).

Uma palavra concernente à prisão dos malachim rebeldes
Outra palavra grega, que também é traduzida como “inferno” nos Escritos Nazarenos, é Tártaro.

Esta palavra é usada apenas uma vez, em 2 Kefa 2:4, onde se refere ao lugar onde os malachim que pecaram aguardam, em restrição, pelo julgamento.

O Dicionário Expositivo de Termos das Escrituras explica que Tártaro significa “confinar-se aos Tártaros”, o nome grego para o mitológico abismo onde os deuses rebeldes eram confinados.

Kefa faz esta referência à mitologia contemporânea para ilustrar que os malachim que pecaram foram “entregues às cadeias da escuridão, ficando reservados para o Juízo”.

Esses malachim estão numa condição de confinamento aguardando o julgamento final de sua rebelião contra o Eterno e sua influência destrutiva sobre a humanidade.

O local de restrição é a Terra, onde eles influenciam as nações, e não um submundo escuro.

Além disso, Tártaro aplica-se unicamente aos malachim. Nunca se refere a um inferno em chamas onde pessoas são punidas após a morte.

Uma palavra se refere a queimar — consumir pelo fogo
A quarta palavra traduzida como “inferno” é Gehena, que contém alguns elementos associados à ideia popular de inferno, mas com diferenças importantes.

Gehena deriva da expressão hebraica Ge-Hinom (Vale de Hinom), um local perto de Yerushalayim onde se realizavam sacrifícios humanos a deuses estrangeiros. Para acabar com isso, Yoshiyahu profanou o local com ossadas e lixo (Melachim Bet 23:10).

Graças à sua má reputação, este vale tornou-se a lixeira da cidade, onde se queimava continuamente lixo, animais mortos e criminosos.

A palavra Gehena é usada 12 vezes nas Escrituras, sendo 11 por Yeshua. Quando Yeshua mencionava Gehena, seus ouvintes sabiam que se referia a um fogo consumidor que destruía o lixo e os ímpios.

Ele advertiu que este fogo seria o destino dos malvados incorrigíveis (Mattityahu 5:22, 29-30; 23:15, 33; Lucas 12:5).

Mas quando isso ocorrerá?
O livro de Malachi revela que no futuro os ímpios impenitentes serão queimados e reduzidos a cinzas na Terra (Malachi 4:1-3).

O livro de Hitgalut chama isso de “lago de fogo”, onde ocorrerá a “segunda morte” — da qual não há ressurreição (Hitgalut 19:20; 20:10, 14-15; 21:8).

Conforme a ordem dos eventos revelados nas Escrituras, isso ocorrerá após os mil anos do reinado de Yeshua na Terra (Hitgalut 20:1-6), e após a ressurreição de todos os que nunca conheceram o Eterno (versículos 5, 11-13).

Esses ressuscitados terão a oportunidade de aprender, se arrepender e receber a vida eterna.

Mas alguns rejeitarão este dom. E está escrito: “E aquele que não foi achado escrito no Livro da Vida, foi lançado no lago do fogo” (Hitgalut 20:15).

Aqueles que voluntariamente rejeitarem os caminhos do Eterno deixarão de existir. Não serão atormentados eternamente.

Conclusão
A análise das palavras traduzidas como “inferno” mostra que a ideia de um lugar de tormento eterno com fogo não tem base nas Escrituras.

“Que vantagem há então em ser Yehudi, ou que utilidade há na brit milah?
Muita, em todos os sentidos! Principalmente porque aos Yehudim foram confiadas as Revelações do Eterno.” (Romiyim 3:1-2)

“Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade?” (Galatim 4:16)