Quase todo o mundo observa o “Natal”. Mas como essa festividade começou a ser observada? Como os costumes e práticas associados ao “Natal” transformaram‑na no dia mais popular entre as comunidades do “messianismo tradicional”? A data de 25 de dezembro tem um passado duvidoso e uma história longa e controversa. Isso não deveria ser surpresa, pois o “Natal” — e muitos de seus costumes populares — não se encontram nas Escrituras. A perspectiva do Eterno acerca dessa festividade quase universal é ignorada ou sequer considerada pela maioria. No entanto, devemos considerar grandemente Sua perspectiva. Vamos examinar a história do “Natal” e compará‑la com as Palavras do Eterno, em vez das ideias humanas, para descobrir o que Ele pensa desse feriado religioso amplamente aceito.

Os historiadores afirmam que a celebração do “Natal” procede de origens duvidosas.
Como resume William Walsh em A História do Papai Noel: “Lembremos que a festa do Natal … teve uma evolução gradual desde tempos que antecederam, e muito, o período cristão … e foi sobrepondo‑se aos festivais pagãos, e muitas de suas observâncias são apenas adaptações de cerimoniais pagãos para os cristãos”. Como poderiam essas práticas pagãs fazer parte de uma celebração religiosa? Quais “festas pagãs” foram, afinal, incorporadas no decorrer dos séculos para originar aquilo que hoje chamam “Natal”?

As antigas origens dos costumes do “Natal”

No século II a.C., os gregos celebravam rituais em honra ao deus Dionísio (também chamado Baco). Em latim, essa celebração era denominada Bacchanalia. Espalhou‑se dos gregos até Roma, no centro do Império Romano. “Foi por volta de 21 de dezembro que os antigos gregos celebraram os chamados bacanais ou festas em honra a Baco, o deus do vinho. Nestas festas as pessoas se entregavam a cantos, danças e outros atos muitas vezes além dos limites da moral e dos bons costumes”. Em razão das orgias noturnas associadas a esse festival, o senado romano resolveu extingui‑lo em 186 a.C., embora demorasse muitos anos para conseguir, dada a popularidade da festa.

Outro feriado romano era a chamada Saturnália, em honra ao deus Saturno, iniciado geralmente em 17 de dezembro e prorrogado por sete dias. Durante essa festividade, os estabelecimentos exceto os que vendiam alimentos ou acessórios para a festa eram fechados; os escravos eram elevados ao nível dos senhores; bebedeira, jogos de azar e fartura de comida eram comuns. As pessoas trocavam presentes (chamados strenae), acendiam velas e lâmpadas para afastar as trevas, e travestiam‑se ou usavam peles para celebrar ritos festivos.

As celebrações do solstício de inverno

Ambas as festas, a Bacanal e a Saturnália, coincidiam com o solstício de inverno — o dia mais curto do ano no hemisfério norte. Vem daí mais um fundamento do “Natal”: a data de 25 de dezembro. Quando o calendário juliano foi proclamado em 46 a.C., fixou‑se legalmente o solstício em 25 de dezembro. Reformas posteriores deslocaram o solstício astronômico para cerca de 21 de dezembro, mas a data 25 de dezembro permaneceu como marco festivo. No rastro da Saturnália, os romanos marcaram o dia 25 de dezembro com a festa chamada Brumália. A palavra bruma deriva do latim brevis, ou brevum, significando “breve” ou “curto”, aludindo ao dia mais curto do ano.

Por que esse período era significativo? O tempo do solstício de inverno sempre foi importante nas mitologias das nações antigas: quando o sol estava em seu ponto mais baixo, presságio da morte e da escuridão, e era necessário um renascimento — a promessa da primavera. As pessoas acreditavam que, no momento em que as forças do caos pareciam triunfar, deviam ajudar os “deuses” por meio de cerimônias e ritos imitativos, para que a luz e a vida retornassem.

Nos dias dos talmidim do mashiach, no primeiro século, os seguidores de Yeshua não conheciam o “Natal” como hoje. Os apóstolos, vivendo sob o Império Romano, viram o povo observando a Saturnália, enquanto eles próprios continuavam a observar as Festas do Eterno listadas em Vayicrá 23. A Enciclopédia Britânica registra que “os primeiros seguidores de Yeshua … continuaram a observar as festas judaicas, embora com um novo espírito, em comemoração aos eventos que esses festivais prenunciavam”. Com o correr dos séculos, observâncias não bíblicas — como o “Natal” e a “Páscoa” dominical — foram introduzidas gradualmente pela igreja tradicional. A história mostra que esses dias foram impostos, enquanto as festas das Escrituras dos tempos apostólicos foram rejeitadas.

Como a data de 25 de dezembro foi escolhida

A evolução da data é bem documentada. No terceiro século, o imperador romano Aurélio instituiu o festival do Dies Invicti Solis (“Dia do Sol Invencível”) em 25 de dezembro. A tradição do “Natal” nessa data veio em parte desse culto pagão ao sol, e dessa mesma data foi adotada pela igreja para celebrar o nascimento de Yeshua. A data de 25 de dezembro é, então, surpreendentemente tardia: não foi observada em Roma até cerca de 300 anos após o mashiach ter vivido. As origens do “Natal” não encontram base nas Palavras do Eterno nem entre os ensinamentos dos apóstolos.

Influências europeias nos costumes do “Natal”

Após a institucionalização do “Natal”, outras celebrações pagãs da Europa influenciaram muitos de seus costumes modernos. A festa germânica Yule (do nórdico antigo jól, “roda” ou “ciclo do ano”) era observada de 25 de dezembro a 6 de janeiro, com fogueiras enormes acesas para ajudar o retorno da luz, e decorações com plantas verdejantes como azevinho, hera, louro. Entre os celtas, o visco e o carvalho eram sagrados. A árvore de Natal (pinheiro enfeitado) foi introduzida como substituição cristianizada dessas plantas, simbolizando “vida que volta” no inverno.

Outros símbolos do “Natal” são adaptações desses ritos antigos: renas, trenó, figura barbudamente vestida vivem no extremo norte — surgem de mitos germânicos ou nórdicos. Presentes trocados, luzes na noite, folhagens sempre verdes — todos possuem raízes muito anteriores à vinda de Yeshua.

Origens dos costumes modernos

Hoje vemos muitos desses elementos como parte normal da celebração do “Natal”. Por exemplo: o ato de presentear remete às trocas de strenae durante a Saturnália. A árvore decorada retoma a ideia de plantas que permanecem verdes no inverno. As luzes e velas evocam a ideia de vencer as trevas do dia mais curto.

Todavia, como esse estudo aponta, tais costumes emergiram de tradições pagãs e foram revestidos de aparência “cristã”. Se os homens trocam presentes, comemoram, decoram árvores e iluminam casas, resta perguntar: em que medida isso corresponde às Palavras do Eterno e às Suas instruções?

Acolhendo a tradição pagã?

Como se deu a aceitação desses costumes? O escritor do século II, Tertuliano, lamentou que muitos cristãos de sua época participassem das festas romanas como a Saturnália, as festas de janeiro e a Brumália, trocassem presentes e fizessem banquetes estrondosos ― dizendo: “Oh, como são mais fiéis os gentios à sua religião, que não aceitam festas dos cristãos!”. Mais tarde, a igreja adaptou esses costumes ao novo feriado chamado “Natal”.

Segundo Walsh: “Quando o Papa Gregório enviou o mensageiro Agostinho para converter os anglo‑saxões, ele aconselhou‑o a permitir que os recém‑convertidos mantivessem as festas que conheciam, apenas dando‑lhes novo significado. No próprio ‘Natal’, Agostinho permitiu que celebrassem a festa de dezembro com novo nome e sentido”. Tragicamente, as celebrações pagãs não foram abolidas, apenas rebatizadas e integradas. Como escreveu Owen Chadwick: “Os romanos continuaram celebrando o solstício de inverno com bebedeiras e tumulto; os seguidores do “Yeshua romano” tentaram dar sentido melhor à festa, mas sem sucesso”.

Debates iniciais acerca do “Natal”

Desde cedo surgiram oposições. No século III, o teólogo Orígenes afirmou que celebrar o aniversário de “Yeshua” era idolatria — confundir Sua missão e natureza com as festividades mundanas. Outros pais da igreja como Clemente de Alexandria e Epifânio de Salamina afirmaram que o “Natal” era cópia de uma festa pagã. A data de 25 de dezembro foi acusada por cristãos da Armênia e da Síria como adoração ao sol. Mesmo o papa Leão Magno, no século V, tentou remover práticas do “Natal” que considerava adoração ao sol.

O “Natal”: uma festa proibida?

Em algumas épocas e lugares, sim. Por exemplo, na Nova Inglaterra puritana, o “Natal” era visto como afronta à graça do Eterno e chegou a ser proibido pelo Parlamento em 1647, com punições para quem o observasse. Sua reputação era tão negativa que era associado a folia, embriaguez e desordem.

Conclusão

Não podemos negar que o “Natal” se originou de antigos costumes e práticas religiosas que nada tinham a ver com as Escrituras. Como resumiu Tom Flynn: “Um grande número de tradições que hoje associamos ao ‘Natal’ têm suas raízes nas tradições religiosas pagãs pré‑cristãs”. Originalmente concebido para facilitar a transição de povos pagãos à nova fé, o “Natal” hoje é impulsionado por forças culturais e econômicas. Segundo a Enciclopédia Britânica, os feriados tradicionais foram secularizados — especialmente o “Natal” — e sua base religiosa foi substituída por mitos como o “Papai Noel”.

Mesmo reconhecendo suas falhas, o “Natal” permanece enraizado na tradição. Alguns acreditam que cada pessoa pode escolher celebrar como quiser. Mas devemos lembrar: o Eterno não revelou essa festividade nos Seus mandamentos. Portanto, o que Ele realmente pensa da mistura de práticas pagãs e adoração a Ele? Cabe a nós examinar Suas Palavras, e não aceitar tradições humanas sem verificar.